Julieta Negra
Sou livro e filme, música e vinho, raiva e emoção, sensatez-errante e cabelo assanhado, palavrão, grito ou sussurro. Sou o estímulo que tenho.
Olha esse sorriso
tão indeciso
tá se exibindo
pra solidão.”
Los Hermanos  (via p-o-e-s-i-a-s)
"FODA É QUE ELA É LINDA."
"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."”
Gabriel García Marquez  (via volatum)
Não há nada que ensine mais do que se reorganizar depois do fracasso e seguir em frente. Mas a maioria das pessoas fica paralisada de medo. Elas têm tanto medo do fracasso que acabam fracassando. Estão condicionadas demais, acostumadas demais que digam o que devem fazer. Começa com a família, passa pela escola e entra no mundo dos negócios.”
Charles Bukowski  (via oxigenio-dapalavra)
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo. Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo. Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança, e o medo era motivo de choro desculpa pra um abraço ou um consolo. Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo do escuro, eu via o infinito sem presente, passado ou futuro. Senti um abraço forte, já não era medo era uma coisa sua que ficou em mim e que não tem fim. De repente, a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás.”
Cazuza.   (via atribuidor)

nuagedereves:

Gosto de observar, 
o nu,
o despido,
o impróprio,
a beleza escondia nos olhos, nos corpos,
expostos em um Atelliê.  

O som que sai dos meus sussurros,
a melodia feita.

Meu âmago que chorar,
e pede mais…  
mais calma, 
mais alma,
mais dias de chuva,
mais dias em volúpia.

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado.”
Chico Buarque (via oxigenio-dapalavra)
Amor é uma mistura de “me deixa em paz” com “volta aqui, fica mais um pouco”.”
Los Hermanos.   (via romanflorei)
Me sinto tão velho, doído, machucado. Quase um enfermo convalescendo de verdade. Esperando o tempo passar. Esperando as paredes brancas, encardidas ficarem, e as frestas das janelas chorarem com a ventania em chuva lá fora. Me sinto tão velho. Tão doído. Um enfermo, sentado observando o céu que se desnuda ao amanhecer. Não eu não gosto das manhãs de sol. Odeio os dias ensolarados e o cheiro de praia. Prefiro quando é noite, quando venta. Quando posso olhar mil e um janelas acesas da minha varanda ao som da voz de uma cantora frondosa num bom e velho toca discos. Eu sou tão velho. Doído. Enfermo. Permaneço sentado, perdendo a vitalidade, o tempo e o sorriso.”
Sócrates   (via oxigenio-dapalavra)
Adeus você. Eu hoje vou pro lado de lá. Eu tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar. Vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar. Cuida do teu pra que ninguém te jogue no chão. Procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não te amar. Quero ver você maior, meu bem, pra que minha vida siga a diante. Adeus você. Não venha mais me negacear. Teu choro não me faz desistir, teu riso não me faz reclinar. Acalma essa tormenta e te aguenta, que eu vou pro meu lugar. É bom, às vezes, se perder sem ter porque, sem ter razão. É um dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom. Quero não saber de cor, também… Para que minha vida siga adiante.”
Los Hermanos.  (via me-nes-trel)
Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço. Quando são três, em geral, esqueço dois. Um nunca esqueci. Um sempre pedi: amor”
Caio Fernando de Abreu.  (via romanflorei)
Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor”
Vinicius de Moraes, A carta que não foi mandada.    (via historiar)
Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.”
Rubem Alves.  (via romanflorei)
Eles não se entendiam, raramente concordavam em algo. Brigavam sempre. E se desafiavam todos os dias. Mas, apesar das diferenças, tinham algo importante em comum: Eram loucos um pelo outro.”
Diário de uma Paixão.  (via promessasvazias)

Somos todos
um bando de viciados,
enquanto o mundo
não para nunca,
acelera
e nos engole.

Viciados
nas imagens cinematográficas
no noticiário da Folha de domingo
no rebolado de Cecília na avenida
na bebida, no Malboro, na escrita,
no sorriso escancarado de Joel
no espetáculo tragicômico da vida
no amor
na ferida
nas flores que despistam a morte
na despedida.

Somos todos
um bando de viciados
enquanto o caos
não para nunca,
acelera
e nos engole por dentro.

E depois do estrago o suicídio abre as gavetas
e escrevemos todas as magoas, as metades, as perdas
escancaramos nossas almas sem sinal nem cortinas
iniciamos o espetáculo da utopia desvanecida
porque chorar se torna medíocre
porque as mãos estão suadas e escorregadias
porque você não se cansa de ir embora
porque a visão não permite mais o foco

e a realidade escapole e afoga
e o amor alucina e ressuscita a única saída,
a poesia.

Somos um bando de poetas enlouquecidos.

Elisa Bartlett. (via oxigenio-dapalavra)